Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) tornou-se um dos temas mais debatidos na indústria tecnológica. Como seria de esperar, começámos 2026 com esta tecnologia bem presente nas nossas prioridades, a acompanhar novas tendências e a explorar novas formas de integrar ferramentas de IA no nosso dia a dia e no nosso trabalho.
Como resultado desta aceleração digital, a IA está também a redefinir a área de Recursos Humanos. No entanto, ao contrário das narrativas globais que preveem a extinção de funções, o mercado português está a assistir a uma transformação, não a uma substituição. A IA está a automatizar tarefas rotineiras, a elevar o papel estratégico dos RH e a obrigar as equipas a adaptarem-se rapidamente a novas exigências ao nível da governance, competências e conformidade.
No contexto dos RH em Portugal, a IA está a ter maior impacto em quatro áreas principais:
A IA está a automatizar até 46% das tarefas administrativas de RH em Portugal, como introdução de dados, processamento salarial, gestão de tickets e apoio a benefícios. Isto permite que as equipas de RH direcionem o seu foco para funções mais estratégicas, como o desenvolvimento da cultura organizacional, análise de dados e planeamento da força de trabalho.
O mercado de talento em Portugal é altamente competitivo, o que torna o recrutamento um desafio crescente. A IA está a começar a reduzir essa lacuna. Ferramentas que automatizam a triagem de currículos, reduzem o tempo de contratação e permitem análises preditivas estão a ganhar relevância, especialmente num contexto em que as empresas competem por talento internacional atraído pelo ecossistema de trabalho remoto em Portugal.
No geral, as soluções baseadas em IA ajudam a reduzir o tempo de análise, promovem decisões mais justas e baseadas em dados e melhoram o alinhamento entre candidatos e funções.
As soluções de previsão de risco de saída (flight risk) e de mobilidade interna, suportadas por IA, estão a tornar-se essenciais num contexto de crescente pressão na retenção de talento. Estas ferramentas permitem antecipar possíveis saídas e desenhar estratégias de retenção mais direcionadas, algo particularmente relevante em setores com escassez de profissionais, como tecnologia, engenharia e saúde.
À medida que a automatização avança, o mercado de RH em Portugal está a assistir ao crescimento da procura por novos perfis especializados, tais como:
Estas novas funções refletem uma mudança profunda no panorama de competências, onde as capacidades digitais e a literacia em IA se tornam essenciais em praticamente todos os setores.
Como resumo, a IA está a transformar os RH a nível global (Portugal incluído) não através da eliminação de empregos, mas da sua evolução. Líderes de RH que integrem a IA com uma governance sólida, estratégias inteligentes de upskilling e projetos-piloto bem definidos estarão melhor posicionados para construir organizações ágeis, competitivas e centradas nas pessoas.
A longo prazo, esta transformação contribuirá para equipas mais focadas e eficientes, apoiando o crescimento sustentável das empresas.
Fontes:
por Rute Gomes, People & Culture Management na Luza