Blog 01 outubro 2026

A Liderança Começa com Atenção

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O mês de outubro já aqui está e, há poucos dias, apercebi-me de que ainda não tinha escrito o meu artigo de setembro. Normalmente as ideias surgem de forma natural, muitas vezes durante uma viagem de carro, numa conversa com um cliente, durante uma caminhada ou simplesmente entre duas reuniões, mas o mês passado foi diferente e confesso que me custou mais encontrar o tema certo.

Continuamos a viver num contexto de incerteza, onde os negócios avançam a um ritmo acelerado, a tecnologia evolui de forma impressionante e a inteligência artificial traz quase todas as semanas novas oportunidades, novas perspetivas e também novos desafios. Na Luza Tecnologia estamos a viver um momento particularmente entusiasmante com o lançamento do nosso novo website, a introdução do www.kandidatos.com e mais um importante projeto com a Hyperion, iniciativas que refletem a nossa ambição de continuar a inovar e a crescer.

Ao mesmo tempo, a vida encarregou-se de me recordar que nem tudo segue os planos que fazemos. A minha colega e sócia Rita Cordovil está atualmente a recuperar de uma fratura no braço e, recentemente, perdi um antigo colega e amigo muito antes do tempo, algo que me marcou profundamente e que me fez refletir sobre aquilo que verdadeiramente importa. Experiências como estas colocam muitas coisas em perspetiva. Fazem-nos perceber que por detrás de cada decisão de negócio, de cada projeto, de cada cliente, de cada colaborador e de cada conversa existe sempre uma pessoa, com as suas preocupações, os seus sonhos, os seus desafios e a sua própria história, muitas vezes invisível para quem a rodeia.

E foi precisamente essa reflexão que me trouxe de volta a um tema que está no centro de tudo aquilo que procuramos construir na Luza.

A Cultura Não É Aquilo Que Dizemos

Enquanto Managing Partner da Luza Tecnologia Portugal, penso frequentemente na responsabilidade que temos enquanto líderes quando se trata de construir a cultura da nossa organização, porque acredito sinceramente que a cultura influencia muito mais do que qualquer processo, ferramenta ou estratégia de negócio. Muitas organizações investem tempo a definir valores, a escrever missões inspiradoras e a criar programas de cultura organizacional. Tudo isso tem o seu valor e pode servir como orientação, mas a realidade é que as palavras, por si só, nunca criam cultura. A cultura nasce dos comportamentos. É moldada pelas decisões que tomamos todos os dias, pela forma como reagimos quando estamos sob pressão, pela maneira como lidamos com os erros quando algo corre menos bem e pela forma como tratamos as pessoas quando ninguém está a observar. A liderança perde credibilidade quando esperamos dos outros comportamentos que nós próprios não estamos dispostos a demonstrar. No momento em que as pessoas identificam uma distância entre aquilo que dizemos e aquilo que fazemos, a confiança começa inevitavelmente a enfraquecer.

As pessoas ouvem aquilo que os líderes dizem, mas acreditam sobretudo naquilo que os líderes demonstram de forma consistente ao longo do tempo.

Um Simples Lembrete

Recentemente vi um pequeno vídeo que ficou na minha memória por uma razão muito simples. Tom Cruise reparou numa mulher que estava sentada sozinha num canto e que aparentava estar desconfortável e vulnerável. No meio de toda a agitação que o rodeava, decidiu parar por alguns segundos para lhe perguntar simplesmente se estava tudo bem. O que mais me chamou a atenção não foi propriamente aquilo que ele fez. Foi o facto de a ter visto.

Num mundo cada vez mais ocupado e acelerado, é surpreendentemente fácil que as pessoas passem despercebidas. Andamos de reunião em reunião, respondemos a emails, acompanhamos projetos, lidamos com prazos e objetivos, enquanto alguém ao nosso lado pode estar simplesmente a precisar de atenção, de apoio, de encorajamento ou de alguém que o ouça verdadeiramente. Esse momento recordou-me que a liderança começa precisamente aí: na capacidade de prestar atenção às pessoas que nos rodeiam. Reparar quando alguém está a passar por uma fase difícil. Perceber quando um colega que normalmente participa em tudo se torna mais silencioso do que o habitual. Reconhecer esforços que muitas vezes ninguém vê. Fazer uma pergunta sincera e, acima de tudo, dedicar tempo para ouvir a resposta.

Acredito genuinamente que estes pequenos gestos têm frequentemente mais impacto do que muitos programas formais de liderança ou iniciativas corporativas de cultura.

O Padrão Que Definimos

Na Luza Tecnologia, este é o padrão que procuro definir para mim próprio todos os dias. Quer esteja a entrevistar um futuro colega, a reunir com um cliente, a conversar com um fornecedor, a acompanhar um colaborador numa reunião individual ou a tomar uma decisão difícil do ponto de vista do negócio, quero que as pessoas sintam que são respeitadas, valorizadas e tratadas com dignidade. Não porque isso melhora indicadores ou resultados. Não porque é uma boa prática empresarial. Mas porque é simplesmente a forma correta de agir.  O mesmo princípio aplica-se quando alguém é ignorado, tratado de forma injusta ou colocado numa posição vulnerável. Uma cultura saudável não se constrói evitando conversas difíceis. Constrói-se enfrentando essas conversas com coragem, justiça, respeito e humanidade. O respeito nunca deveria depender do cargo que uma pessoa ocupa, da sua antiguidade, da sua experiência ou das circunstâncias do momento.

Deveria ser visível em todas as interações.

Construir a Cultura Que Queremos

Na Luza falamos frequentemente sobre a nossa Happy People Culture. Para mim, isso não é um slogan, nem uma frase que utilizamos em apresentações ou campanhas de marketing.  É um compromisso diário. Se queremos confiança, temos de agir com integridade. Se queremos abertura, temos de saber ouvir. Se queremos que as pessoas cuidem umas das outras, temos de ser os primeiros a dar esse exemplo. A cultura não nasce de grandes gestos ocasionais. Cresce através de centenas de pequenos momentos que se repetem todos os dias, em cada conversa, em cada decisão e em cada interação que temos uns com os outros.

É dessa forma que construímos, em conjunto, o ambiente onde queremos trabalhar e crescer.

Um Convite Simples

À medida que outubro começa, gostava de deixar um pequeno desafio. Repare em alguém hoje. Talvez seja aquele colega cujo trabalho raramente recebe o reconhecimento que merece, talvez seja um amigo que parece mais calado do que o habitual ou talvez seja um familiar que merece mais da sua atenção do que o ecrã do seu telemóvel. Pergunte-lhe como está, escute verdadeiramente aquilo que tem para dizer e faça-o sentir que foi visto, ouvido e valorizado.

Na Luza Tecnologia acreditamos que o cuidado deve ser visível, que o respeito é inegociável e que a felicidade é algo que construímos em conjunto, não através das palavras que dizemos, mas através das escolhas que fazemos todos os dias.

Porque a liderança não começa com autoridade. Começa com atenção.

 

por Nelson Tavares da Silva, Managing Partner na Luza